BETO MOESCH
30/05/2010 - O atual estilo de vida só pode ser mantido com
grandes quantidades de território e de bens naturais. Assim,
abuso dos recursos é proporcional ao poder aquisitivo. Se todos
os habitantes da Terra tivessem o mesmo padrão de consumo dos
norte-americanos, por exemplo, seriam necessários 5,3 planetas
para suprir a demanda. Por isso, um futuro promissor depende do
restabelecimento do equilíbrio entre crescimento
econômico, inclusão social e preservação
ambiental.
Somos, ao mesmo tempo, causadores e vítimas da
exploração dos recursos naturais, que resultam em
prejuízos inestimáveis aos ecossistemas. No entanto, um
ambiente ecologicamente equilibrado é um direito fundamental das
espécies atuais e vindouras. Essa premissa é avalizada
por uma crescente tendência a buscar alternativas para nosso
imbróglio socioambiental.
Para tanto, precisamos incorporar soluções
sustentáveis em nossos municípios, tais como a correta
destinação dos resíduos sólidos, que podem
ser reciclados, transformados em subprodutos para a
construção civil e aproveitados energeticamente.
Também é importante oferecer transporte público de
qualidade e ampliar as ciclovias, o que significa menos
automóveis nas ruas e menos poluição.
Outra meta é estimular o uso de coletores solares para aquecer a
água do banho, diminuindo os gastos das populações
pobres, onde a conta de luz referente ao uso do chuveiro
elétrico é de 30%, em média, e reduzindo o impacto
desses aparelhos sobre a produção de energia. Além
disso, na zona rural, é possível transformar os dejetos
dos animais em energia através de biodigestores.
Também é viável usar esse equipamento em locais
afastados das redes de coleta ou que tenham seus esgotos
lançados in natura no meio ambiente. Ademais, é de suma
importância estimular as construções
sustentáveis, ou seja, aquelas que promovem o uso materiais
menos impactantes (como madeira certificada), a aplicação
de tecnologias que reduzam o uso de energia e permitam o aproveitamento
da água da chuva e o reúso das águas servidas.
É mister respeitar a integridade da Terra e de seus habitantes,
e isso passa, inevitavelmente, por uma revisão ecológica
de nossos paradigmas de crescimento. Um dado preocupante e
emblemático: o pouco do que ainda resta da Mata Atlântica
(7%) abastece de água 70% da população brasileira.
Assim, evidencia-se que somente lançando mão de meios
ecoeficientes para o planejamento podemos continuar desenvolvendo-nos
sem esgotar os recursos ainda disponíveis.