A
simples
identificação
dos
fatores
que
geram
maior
degradação
ambiental
pelas
atividades
econômicas
que
envolvem
criação
de
animais
para
abate
e
posterior
alimentação
humana,
por
si,
já
favorece
o
entendimento
da
necessidade
de
uma
mudança
profunda
no
modo
como
indivíduos
e
sociedade
encaram
e se
relacionam
com
o
meio
ambiente
e
indica
a
urgência
em
repensar
– e
reinventar!
– os
paradigmas
de
consumo
global,
como
uma
das
principais
alternativas
viáveis
para
evitar
as
grandes
catástrofes
que
se
anunciam
com
tanto
vigor.
Tanto se fala em aquecimento global e na conscientização do homem para conter o estrago na natureza por ele mesmo já instalado. Não ouço, porém, nos meios de comunicação, nem tão pouco nos programas que incentivam a preservação do meio ambiente, alguém sequer comentar que um dos principais fatores, causadores de todo desequilíbrio e suas conseqüências, que hoje enfrentamos é o consumo exagerado de carnes e seus derivados. Veja abaixo, contudo, parte da cartilha com informações alarmantes que a Sociedade Vegetariana Brasileira (www.svb.org.br) elaborou com base nas pesquisas de órgãos neutros, como por exemplo CETESB, IBGE, Instituto Cepa, Sabesp entre outros.
A
prioridade
que
o
Brasil
escolheu
dar
ao
agronegócio
é,
para
dizer
o
mínimo,
discutível.
A
insustentabilidade
desse
modelo,
que
destrói
nossos
biomas,
contradiz
o
projeto
de
erradicação
da
fome
dos
brasileiros,
pois,
como
se
sabe,
o
agronegócio
é
primordialmente
voltado
para
a
exportação.
A
soja
que
devasta
o
Cerrado
e
invade
a
Amazônia
não
vira
alimento
para
pessoas,
é
exportada
e
transformada
em
ração
de
bois,
frangos,
porcos
e
peixes
criados
em
cativeiro.
Enquanto
isso,
fome
e
desnutrição
assolam
quase
metade
da
população
mundial.
Metade
da
agricultura
mundial
é
voltada
para
a
produção
de
ração
para
animais.
E a
carne
dos
animais
abatidos
é
acessível
a
menos
de
15%
dos
seres
humanos.
No
Brasil,
segundo
o
Instituto
CEPA,
um
boi
precisa
de
um a
quatro
hectares
de
terra
e
produz,
em
média,
210
kg
de
carne,
no
período
de
quatro
a
cinco
anos.
No
mesmo
tempo
e na
mesma
quantidade
de
terra,
produz-se,
em
média
8
ton.
de
feijão
ou
19
ton.
de
arroz
ou
23
ton.
de
trigo
ou
44
ton.
de
batata,
e
assim
por
diante.
Um
relatório
alarmante
da
FAO,
publicado
em
2006,
indica
que
os
“estoques
de
animais
vivos”
mantidos
para
alimentação
humana
têm
mais
responsabilidade
pelas
mudanças
climáticas
do
que
todos
os
veículos
automotores
do
mundo
somados!
No
total,
nada
menos
de
18%
da
emissão
de
todos
os
gases
causadores
do
aquecimento
global
são
gerados
apenas
pelas
indústrias
da
carne.
Uma fazenda com 5 mil bovinos produz a mesma quantidade de excrementos de uma cidade com 50 mil habitantes. Nos Estados Unidos, a produção de excrementos de animais é de 104 mil kg por segundo!
Ao
se
falar
em
evitar
o
desperdício
de
água,
as
dicas
são
as
de
sempre:
fechar
a
torneira
ao
escovar
os
dentes,
não
lavar
a
calçada,
etc.
Como
consumidores
conscientes,
podemos
ir
muito
além.
No
Brasil,
45%
da
água
doce
é
gasta
na
pecuária
e 45
milhões
de
pessoas
não
têm
acesso
à
água
potável.
Neste
país,
a
pecuária
utiliza
e
contamina,
em
sua
cadeia
produtiva,
mais
água
do
que
as
cidades.
Enquanto
são
necessários
menos
de
500
litros
de
água
para
se
obter
1 kg
de
soja,
para
produzir
1 kg
de
carne
bovina
gastam-se
até
15
mil
litros
de
água.
Por
isso,
o
vegetarianismo
deve
ser
considerado
com
uma
das
formas
mais
eficientes
para
economizar
água.
O
impacto
ambiental
da
pecuária
sobre
o
solo
é
fora
de
série,
pois
a
maior
parte
dos
bovinos
é
criada
pelo
sistema
extensivo:
cada
cabeça
de
gado
precisa,
no
mínimo,
de
um
hectare
(10
mil
m2)
de
pasto
para
engordar.
Nossos
rebanhos
já
contabilizam
200
milhões
de
cabeças
e a
pecuária
ocupa
mais
de
250
milhões
de
hectares,
quase
um
terço
do
território
nacional!
Essa
ocupação
desmedida
do
solo
compromete
nossa
terra
de
várias
maneiras.
Entre
2002
e
2005,
foram
desmatados
70
mil
km2
na
Amazônia.
Do
cerrado,
que
contém
um
terço
da
biodiversidade
brasileira,
hoje
restam
20%.
E
menos
de
7%
da
Mata
Atlântica
está
de
pé.
Conclui-se,
portanto,
que
o
vegetarianismo
tem
uma
contribuição
inequívoca
a
dar
em
termos
de
produtividade.
Qualquer
projeto
cuja
meta
seja
o
combate
à
fome
e a
implementação
de
um
sistema
produtivo
sustentável,
em
que
o
uso
da
terra
seja
otimizado
de
forma
a
satisfazer
as
necessidades
do
maior
número
possível
de
pessoas,
deverá,
obrigatoriamente,
considerar
a
ênfase
no
vegetarianismo.
