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ARTIGO

A Conduta do Homem Com os Animais
 
CLÁUDIA POGGETTO

O significado da palavra “antropocentrismo”,  no dicionário, é “filosofia que considera o homem como o centro do universo e a ele refere todas as coisas” e o da palavra “egoísmo” é “Sentimento ou maneira de ser dos indivíduos que só se preocupam com o interesse próprio, com o que lhes diz respeito.” Pois bem, vejo que as duas situações traduzem, muitas vezes, o comportamento do homem moderno.

Gostaria de fazer um convite, que entendo ser urgente, a uma reflexão sobre a conduta do homem em relação aos animais e o quanto a humanidade tem se distanciado dos ensinamentos de Jesus Cristo, a Bíblia Sagrada.  

“... Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.” A interpretação da palavra “dominar”, em Gênesis 1, 28, me parece um tanto equivocada. Penso que a tradução correta seria “administrar”. Parece-me também, que muitas pessoas tomam este versículo isoladamente, e um tanto convenientemente.

Ora, Deus é amor, partilha, compaixão. Jesus fala do amor de Deus em todo Novo Testamento, nos ensinando a prática da humildade e da caridade. Se Deus é amor, como poderia autorizar tamanhas atrocidades, a exploração desmedida das espécies a título do dinheiro (Mateus 6, 24), a violência e demais frutos do ódio? Veja você mesmo a resposta em Isaías 66, 3-4, também em Isaías, 1, 11-17. O Salmo 35 (hebr 36), Salmo 49 (hebr 50) e Provérbios 12, 10. Por fim, em Eclesiastes, 3, 16-21, Deus trata da soberba do homem e Eclesiástico 15, 11-22, Deus fala do livre arbítrio.

O homem, pensando ter o domínio do mundo e julgando-se superior a outras espécies de seres vivos, rouba-lhes o direito à liberdade, à vida e à dignidade, e aproveita-se da incapacidade dos animais de defenderem-se, para explorá-los desumanamente, reduzindo-os a meros instrumentos de lucros ilícitos.

Para melhor ilustrar esta afirmativa, gostaria de fazer uma analogia, citando exemplos muito comuns, em que a única diferença é a vítima.

Os moradores de rua, pessoas excluídas da sociedade, passam e até morrem de fome ou de frio. A cada dia e noite, experimentam um novo desafio em busca de abrigo e comida. Os cães abandonados pela mesma sociedade, também partilham dessa luta pela sobrevivência. A dor dos idosos abandonados em asilos por seus próprios filhos ou cônjuges e as prisões superlotadas, ferem a dignidade da pessoa humana.

Salvo o tratamento dispensado ao idoso e ao preso, que não é dos mais carinhosos, assemelham-se muito os abrigos de entidades de proteção animal, superlotados de cães e gatos, ex-animais de estimação, abandonados por seus próprios donos, pelos motivos mais fúteis e desprezíveis, desculpas suficientes para si próprios somente, para amenizar a culpa de sua irresponsabilidade.

Pessoas que já estiveram frente ao risco iminente da morte podem confirmar a angustia e o pavor sentidos. Também os bois, porcos, frangos e tantos outros animais sentem exatamente a mesma coisa ante o abate. Quem ouve quando esses animais choram e clamam por socorro?

Coloque-se um momento no lugar de um boi, que aterrorizado pressente a morte e vê seus amigos, um a um, serem brutalmente sangrados a sua frente.

Existe ainda um mau terrível ao qual os animais são submetidos e que talvez, seja o pior de todos. Neste exemplo, não se pode fazer analogia, pois os humanos ainda não conhecem tamanha dor e sofrimento. Trata-se dos biotérios, onde milhões de animais servem de cobaias a experiências dolorosas, horríveis, muitas vezes inúteis, invariavelmente repetitivas e desgastantes, quando existem novas tecnologias sem a utilização de animais, muito mais eficazes e precisas, principalmente no ensino acadêmico de ciências biológicas e na indústria cosmética. A União Européia aprovou o fim dos testes de cosméticos em animais e estipulou prazo até 2009 para tais empresas se adequarem. No Brasil, existem várias empresas que seguem as diretrizes européias. Quanto a nós, fazer a escolha pelo consumo do produto adequado, aquele que não é testado em animais, é o mínimo que se espera.

Gostaria de que este testemunho possa frutificar bons frutos de amor ao próximo em seu coração, considerando que seu próximo também pode ser um gato acidentado, a escolha dos alimentos no supermercado, a planta cheia de pragas, o meio ambiente cada dia mais desequilibrado, enfim, todo aquele que necessita de auxílio e você pode ajudar, pois está ao seu e ao meu alcance fazê-lo, para o nosso bem tanto quanto para o bem dos animais, para um mundo melhor e para um futuro digno a nossos filhos.

 

 


 

   
 
 
 
 
 

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