Filiado à Sociedade
Mundial de Proteção Animal (WSPA)
OPINIÃO
Vivisseccionistas: 'heróis' da resistência
GIGLIOLI RODRIGUES
Vivissecção:
Do latim vivus (vivo) e
sectio (corte, secção),
ou seja, seccionar,
cortar um corpo vivo.
Lamentável o fato de o
comitê de ética da
Universidade Federal de
Uberlândia (UFU)
desconhecer métodos
éticos, seguros e
confiáveis, do ponto de
vista cognitivo, capazes
de facilitar o
aprendizado de
acadêmicos de Medicina
Veterinária. Igualmente
censurável a atitude do
presidente do comitê,
professor Humberto
Pereira Oliveira, ao
afirmar que a legislação
brasileira permite a
morte de animais em
aulas de técnicas
cirúrgicas quando há
métodos substitutivos,
conforme publicado em
Correio de Uberlândia.
Tais métodos são
eficazes, visto que as
universidades mais
conceituadas do mundo
usam-nos. São seguros, pois
há simuladores que
possibilitam perfeito
aperfeiçoamento prático
dos estudantes. E, acima
de tudo, são éticos e
saudáveis para os
acadêmicos, os quais não
passarão por sofrimento
psíquico ao retalhar
animais,
desnecessariamente.
Os professores precisam
encarar uma mudança de paradigma.
A teimosia em manter as
cruéis técnicas
ultrapassadas, e não
mais aceitáveis do ponto
de vista bioético, de
ensino, é facilmente
compreensível. Pois,
tais mestres e doutores
terão que se debruçar
sobre alguns livros,
aprender novas técnicas,
descartar aquelas
arcaicas as quais
julgavam serem imortais e
imutáveis.
Os empecilhos estão por
toda a parte, dizem
eles, ao tentar
argumentar que a
complexidade da prática
exige animais vivos, que
sofrimentos são
necessários. Reclamam do
preço alto dos
simuladores (que, em
médio prazo, são até
mais baratos do que
matar animais)... tudo
para manter o status quo.
Mas felizmente a
Constiuição Federal é
clara em sua Lei
9.605/98, a Lei dos
Crimes Ambientais. O
parágrafo primeiro, do
Artigo 32, diz ser crime
“realizar experiência
dolorosa ou cruel em
animal vivo, ainda que
para fins didáticos e
científicos, quando
existirem recursos
alternativos”.
É sem dúvida
"tormentosa" a questão
acima, como prefere
classificar o prudente
procurador-geral da
República Cléber
Eustáquio Neves. Dentre
tantos lamentos, uma
satisfação: ainda há
quem se esforce por,
pelo menos, fazer
cumprir a lei.
QUEM
Giglioli Rodrigues é
Cientista Social, Educadora Social e especialista em Direito
Ambiental.