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OPINIÃO
A nova gripe e os velhos costumes
 
JAIME N. CHATKIN

Aumentam os casos de gripe suína. A letalidade do vírus, por sorte (e nada mais) parece ser baixa. 

Observa-se que o descobrimento da vacina é esperado como a solução definitiva para o problema. 

Mas será mesmo? 

É como se alguém encontrasse um vazamento de água em sua casa e determinasse, para solucionar a questão, que toda a mobília fosse imediatamente impermeabilizada. 

Mas as causas do vazamento não foram de modo algum combatidas.
É claro que a vacina é importante e poderá salvar muitas vidas, mas a pergunta que se impõeé o que foi ou será feito para evitar que a apariçaõ dese tipo de ameaça seja recorrente. 

As causas do aparecimento da gripe suína podem com certeza ser desvendadas, e já exististiam estudos, mesmo antes da pandemia, que indicavam que o confinamento de um grande número de animais em fazendas industriais propicia um meio adequado para o surgimento e mutação de vírus potencialmente nocivos ao ser humano. 

Fazendas industriais, para quem não sabe, foi o modo que o agronegócio sem preocupações éticas encontrou para aumentar a produtividade na criação de animais, confinando um número cada vez maior deles em espaços cada vez menores e cruéis, tudo em nome do aumento do lucro, sem importar o sofrimento dos seres vivos ali tratados como mercadoria, e com os danos ambientais causados por essa aglomeração. 

A propósito, sabe-se que no México, onde surgiu a gripe suína, existem inúmeras dessas fazendas para fornecer carne suína, principalmente aos EUA. 

Mas o que será feito de concreto a respeito dessas granjas, verdadeiras aberrações éticas do sistema capitalista? 

Como era de se esperar, nada. 

A contrário, rebatiza-se o vírus para não atrapalhar os negócios e se joga toda a esperança na grande vacina, fazendo rféns da indústria farmacêutica um sem número de governos. 

Em suma, segindo-se a cartilha do mais puro capitalismo, a pandemia gerará crescimento para o dinheiro de alguns poucos, em detrimento do dinheiro de muitos e das verbaspúblicas.

E nada, absolutamente nada será feito para atacar as causas de um problema que, em um futuro retorno, poderá surgir de forma mais agressiva e devastadora.

   
QUEM

m Jaime N. Chatkin é promotor de Justiça em Pelotas (RS)
 


 

 
 
 
 
 

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