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de Proteção Animal (WSPA)
ARTIGO Economia verde: o
sustentáculo da revolução industrial
do Século XXI
JOÃO HENRIQUE MACHADO
10/06/2010
- Mudar o foco e estruturar uma nova economia é um dos maiores
desafios para os líderes dos movimentos para a sustentabilidade
espalhados pelo mundo. A ideia de uma "economia verde" pegou bem
rápido, assim como a proposta da sustentabilidade
alcançou corações e mentes. Mas tanto um termo
quanto o outro ainda têm interpretação amorfa,
confusa e recebem as mais bizarras interpretações.
Termos como sustentabilidade, ecoalfabetização e
pensamento sistêmico, por exemplo, nas bocas de alguns
governantes ou empresários (e até de pesquisadores e
professores universitários) são comumente usados de forma
distorcida do verdadeiro sentido com que o conceito foi concebido.
Assim também é tratada a economia verde. Os conceitos
dessa nova ciência financeira, que leva em conta a
preservação da vida no planeta, tem confundido quem
está acostumado com as teorias arcaicas que ainda são
ensinadas nas universidades.
Com o intuito de clarear o ambiente, dois norte-americanos, William
McDonough e Michael Braungart, lançaram em maio o livro Cradle
to Cradle: Remaking the Way We Make Things (Refazendo a maneira de
fazer as coisas, em uma tradução livre). Na obra, ainda
não traduzida para o português, os autores lançam a
profecia de uma nova revolução industrial. As
raízes desse novo movimento remontam os primórdios da
revolução industrial, ocorrida há mais de dois
séculos. Mas a nova revolução leva em conta
valores ambientais, sociais e crises econômicas que enfrentamos
atualmente.
Talvez uma forma mais simples de descrever a economia está na
observação de práticas diárias, em vez de
usar modelos conceituais. Ao invés de caracterizar o tipo de
economia, é preciso caracterizar a nossa visão para a
vida nesta evolução da economia e fazer perguntas que
destacam o novo modo como os sistemas econômicos funcionam. Por
exemplo: que tipo de banco nós utilizamos? Quais são seus
valores? Onde e em que ele vai investir o nosso dinheiro? Quais
são os objetivos educacionais de nossas escolas e universidades?
Essas perguntas são abordadas em um outro livro interessante
(também ainda não traduzido): Deep Economy: The Wealth of
Communities and the Durable Future (Economia Profunda: a riqueza das
comunidades e do futuro duradouro), de Bill McKibben.
A noção de prosperidade confiável também
aponta para a importância de identificar alguns dos atributos
essenciais que se pretende na nova economia. Esses atributos ajudam a
fundamentar o caráter do sistema econômico, com base em
valores duradouros e aspirações concretas. As estruturas
que apontam um futuro de prosperidade verde implicam em autocuidado,
atributo fundamental que deve servir como uma bússola para
vislumbrarmos o futuro que escolhemos para criar. Precisamos ir
além das sombras da economia arcaica e entender como poderemos
criar uma economia próspera que funciona para todas as
espécies.
QUEM
João Henrique Machado é
jornalista, editor do site Clube Amigos dos Animais e editor do jornal Pioneiro (Grupo RBS).