Filiado à Sociedade
Mundial de Proteção Animal (WSPA)
ARTIGO
Vegetarianismo é evolução
JOÃO HENRIQUE MACHADO
Não pense que este texto
contém dicas de hábitos
alimentares ou receitas
culinárias. Nem,
contudo, você terá uma
dissertação chata sobre
cuidados com a
alimentação. Peço, caro
leitor, apenas uns
minutinhos. Leia até o
fim. Atitudes como esta
mudaram muitas vidas,
inclusive a minha.
A
primeira coisa que se
pensa quando alguém diz
que é vegetariano é que
o coitado só come alface
(não que se tenha algo
contra a bonita
verdura), ou, o que é
pior, que come aves e
peixes.
Vegetariano é
vegetariano. Come
vegetais. Come grãos,
raízes, frutas, sementes
e, é claro, folhas. Mas
nem sempre foi assim. O
homem, segundo a maioria
das teorias da evolução
mais aceitas, foi um
selvagem. Sua evolução
cultural e social tem
como um dos pontos
principais a descoberta
da agricultura. O homem
pode, e precisou, se
fixar em um local para
cultivar a terra.
Isso fez com que
evoluísse. Criasse
vínculos sociais, e se
tornasse mais homem e
menos selvagem.
Hoje, com a tecnologia
da informação e das
comunicações, evolui-se
muito mais rápido que há
algumas centenas de
anos. E já há algum
tempo a tecnologia
permite que o homem
consiga nutrir-se e
viver muito bem sem
precisar comer cadáveres
de animais. E o que
é melhor: vive-se mais
tempo de uma vida mais
saudável, com mais
disposição, mais leveza,
mais tranquilidade, mais
paz de espírito.
Mas ainda tem gente que
prefere putrefarina e
cadaverina (elementos
que compõem a carne) em
nome da tradição do
churrasco, por exemplo.
Se o caso é tradição, o
que houve com tradições
como a virgindade? Se é
paladar, saiba que há
uma infinidade de ervas,
gostos e sabores que
somente podem ser
apreciados pela
culinária vegetariana.
Há quem possa dizer que
é uma questão econômica,
que há uma rede de
produção, comércio... em
torno da carne. Bem, se
é por isso, então
voltemos a comercializar
escravos. Ou ainda vamos
vender nossos filhos,
sobrinhos, irmãos, para
casais europeus...
Nós, vegetarianos
costumamos responder:
"vá plantar batatas!"
Comer carne é comer
violência. É comer a
morte de um animal que
sente dor, tem emoções,
linguagem e até noções
de família. Procure
pensar na dor da sua
refeição e se ela lhe
fará bem. Ou ainda,
pense naquela velha
história: coloque em
um cercado uma criança,
um coelho e uma maçã. Se
a criança brincar com a
maçã e comer o coelho
você achará que algo
está errado, não? É.
Definitivamente não é
natural. Em algum
momento da nossa vida
perdemos a noção da
inocência, do amor e da
paz. Começamos a
apreciar rodeios (sempre
os animais são
torturados para
corcovear), circos com
animais (torturados para
reagir às ordens), cães
pitbulls, rotweilleres...
(torturados para
tornarem-se
agressivos)... Mas não
apreciamos a tortura da
morte de um jovem que
não entregou o tênis ao
assaltante, não
apreciamos a tortura de
uma sociedade que exige
que você more em uma
casa bonita, tenha
roupas da moda, moto,
amigos, use droga, passe
no vestibular, ganhe
dinheiro, cultive e
admire padrões de
beleza, seja melhor e
use seus cotovelos para
ser "o melhor"... quando
você só quer ser você.
Então, não seja você
quem financia,
incentiva, apóia ou
admite a sua tortura.
Tome atitudes para viver
sua vida em paz. E
lembre-se: ser
vegetariano é defender a
Vida com coerência.
QUEM
João Henrique Machado é
jornalista, editor do site Clube Amigos dos Animais e editor do jornal Pioneiro (Grupo RBS).