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ARTIGO
Por que
amamos os cães
KÁTIA REGINA AIELLO
Nós
amamos os cães porque só os animais tão próximos de nós como
os cães parecem enxergar a bondade que se esconde em todo
ser humano.
Qualquer pessoa tem seu lado bom, seja a
nossa vizinha mal-encarada que não dá bom-dia pra ninguém,
mas que, a gente sabe, trata seu próprio cão a pão-de-ló;
seja um homem capaz de matar outro homem, mas incapaz de
maltratar seu cão de estimação.
Um cão tem a
capacidade de amar o que somos, amar nossa alma. Você pode
ser um anão, um deficiente, um hexacampeão de Fórmula 1
(aliás, o Schumacher adotou um vira-lata brasileiro, que
encontrou vagando pelo autódromo de Interlagos); se você
tiver um cão, pode estar certo: ele amará você.
Para
um cão, não importa se você é uma freira, uma prostituta, o
presidente do país ou um mendigo. Ele também não está
interessado na sua profissão, na sua cor, nas suas
preferências sexuais, se você é carteiro, bombeiro, médico,
lixeiro, entregador de pizza, empresário.
Amamos um
cão porque somos amados por ele. Amamos um cão porque muitas
vezes conseguimos nos comunicar melhor com eles do que com
os humanos que estão ao nosso lado. Amamos um cão porque
eles são inocentemente egoístas. Nos querem só para si, e
não escondem seus desejos. O ossinho é só dele, o brinquedo
é só dele, a casinha é só dele. E pronto.
Simples
assim.Tudo é simples em um cão. Até seus defeitos são tão
escancarados, são tão descaradamente sinceros, que fica
muito difícil não acharmos virtudes neles.
Kátia Regina Aiello,
adestradora e psicóloga comportamental. |
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