OPINIÃO DO
CLUBE AMIGOS DOS ANIMAIS
Somos
contra abrigos
MARLENE NASCIMENTO
Muitas pessoas, ao se deparam com
animais abandonados, logo pensam em enviá-los para um
abrigo. Pensam que é a melhor solução para evitar o
sofrimento do animal. No entanto, a maioria não tem
conhecimento de como funciona um abrigo, ou nunca visitou
um.Abrigos mantêm os
animais confinados como prisioneiros em canis muitas vezes
sem o menor conforto, acontecem brigas, disputas por
alimentação e espaço, estresse e, em alguns casos, até
canibalismo. Sem falar que a simples existência de um abrigo
estimula o abandono, pois muitas pessoas vão se sentir bem à
vontade para abandonarem seus animais confiando na
possibilidade de serem encaminhados para este “paraíso”.
Somos contra abrigos de
animais. Abrigo nos lembra irresponsabilidade, abandono,
exclusão, sofrimento e morte. Lutamos por um mundo melhor,
sem violência e sem o sofrimento, como vamos compactuar com
uma situação que não lembra em nada os nossos objetivos?
Uma de nossas metas é
reduzir o abandono e o sofrimento de cães e gatos. E como
poderemos trabalhar por ela defendendo a existência de um
lugar que serve para estimular a irresponsabilidade e tirar
o problema da frente das pessoas evitando que elas se
envolvam diretamente com ele?
Pacto com a
insensatez
Quando estamos ajudando uma
pessoa a se desfazer de um animal não mais desejado, estamos
compactuando com a insensatez desta pessoa. Ninguém é
obrigado a ter um animal de estimação. Mas, no momento que
adquirir um, deve estar consciente de que deve cuidá-lo
enquanto viver. Se ajudarmos o irresponsável a se desfazer
do animal estamos protegendo-o e tirando o “problema” de sua
frente, perpetuando a idéia de que animais de estimação são
seres desacatáveis e que podemos nos “livrar” deles a
primeira dificuldade que surgir.
Quando ajudamos uma pessoa
que esta preocupada com um animal abandonado retirando o
animal de sua frente e enviando para um abrigo, estamos
protegendo a pessoa e não o animal. Esta pessoa vai dormir
tranquila achando que fez sua boa ação do dia. E o pobre do
animal vai ser colocado em canil superlotado como se fosse
um prisioneiro, com a diferença que não cometeu nenhum crime
e não teve direito a se defender.
Se, ao contrario,
estimularmos esta pessoa a se envolver com o problema,
cuidando do animal e procurando um novo lar para ele,
estaremos ajudando a pessoa e o animal. A pessoa, se
envolvendo com o problema, aprenderá o que fazer quando
outro animal necessitar de ajuda. Ser correto, não matar, é
algo relativamente fácil, mas se propor a salvar uma vida
doando seu tempo, espaço, trabalho e dinheiro próprio é bem
difícil, mas traz satisfação que dinheiro nenhum compra.
Três tipos de
abrigos
Fechados: possuem um
determinado número de animais e não recebem outros até que
uma vaga seja aberta por morte ou por doação.
Eutanásicos: recebem
animais doentes ou sadios e praticam eutanásia,
especialmente nos doentes velhos e não passiveis de doação.
Muitos destes abrigos cometem a atrocidade de enviar animais
para estabelecimentos de ensino que ainda fazem
experimentação animal.
Distanasicos:
recebem animais indiscriminadamente e geralmente estão com
superpopulação de animais. Não praticam eutanásia, mas os
animais não possuem o mínimo de bem-estar e uma grande
parcela morre por fome, briga e doenças e muitas vezes até
acontece canibalismo, isto é os animais mais fortes matam os
mais fracos para se alimentarem.
Qual o crime?
Que crime estes animais
cometeram para viverem como prisioneiros ou para serem
condenados a morte? Você acha justo animais abandonados
serem levados para abrigos?
A partir do momento que um
animal é colocado em um abrigo, ele passa a ter a vida como
a de um prisioneiro: superlotação, brigas, disputa por
espaço e comida, risco de doenças contagiosas, perdas da
socialização e muito sofrimento.
No caso de um canil
eutanásico, o animal vai para o corredor da morte. Isto é,
caso seja adotável, ele tem um prazo. Mas se não for
adotado, é sacrificado. Nos casos dos animais feios, velhos
ou doentes a morte é certa. Nem participam de programas de
adoção.
Abrigo lembra abandono,
irresponsabilidade, exclusão e morte.
Seja sensível com
a causa animal
Nunca abandone animais e não permita que outros o façam
Esterilize seu animalzinho, não contribua para a
superpopulação de cães e gatos.
Denuncie ao ver alguém abandonando animais.
Forneça um lar temporário para um animal abandonado.
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