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AQUECIMENTO GLOBAL
Uso da psicologia é fundamental na questão climática, conclui estudo
POR FABIANO ÁVILA, DA AGÊNCIA CARBONO BRASIL
20/08/2009
- A cada nova pesquisa que é realizada, mais clara fica a
contribuição humana para o aquecimento global. Essa
responsabilidade se dá principalmente por motivos
comportamentais, como o consumo de energia e o crescimento populacional.
Percebendo este fato, a Associação Americana de
Psicologia (APA) realizou um estudo para entender porque as pessoas
estão demorando tanto para perceber que devem se engajar no
combate às mudanças climáticas. A pesquisa
também mostra que a psicologia deveria exercer uma
função maior nessa luta.
"O que é importante entender é a relevância do
comportamento humano para as mudanças climáticas.
Nós devemos compreender o porquê das pessoas não
estarem agindo e então fazer com que elas ajam", esclareceu uma
das autoras do estudo, a pesquisadora Janet Swim, da Universidade do
Estado da Pensilvânia.
O trabalho "Psychology and Global Climate Change: Addressing a
Multi-faceted Phenomenon and Set of Challenges" foi divulgado no dia 6
de agosto e examina décadas de pesquisas e práticas
psicológicas que foram utilizadas em áreas ligadas com as
mudanças climáticas, como meio ambiente,
conservação e desastres naturais.
Com isso, o relatório consegue oferecer com detalhes, em suas
mais de 200 páginas, a conexão entre psicologia e
mudanças climáticas, sugerindo inclusive
recomendações para novas políticas.
Importante, mas não urgente
A APA cita uma pesquisa do PEW Research Center na qual 75% a 80% dos
entrevistados afirmam que as mudanças climáticas
são um assunto importante. Porém, ao classificá-la
em um ranking, a questão aparece em último numa lista com
20 itens, bem atrás de tópicos como economia ou
terrorismo.
Apesar dos alertas de cientistas e ambientalistas de que para minimizar
os piores efeitos das mudanças climáticas as pessoas
deveriam mudar imediatamente seus hábitos, o cidadão
comum simplesmente não sente esse sentimento de urgência.
Entre os fatores citados pelo estudo da APA para essa falta de vontade
de querer agir estão: desconhecimento, desconfiança,
negação, a sensação de que elas sozinhas
não influem no cenário maior e pura e simplesmente a
recusa para alterar antigos hábitos.
Contribuição
A APA destacou algumas maneiras de como a psicologia já
está trabalhando para ultrapassar essas barreiras. A entidade
reconheceu, por exemplo, que as pessoas utilizam mais aparelhos com boa
eficiência energética se a economia deles for clara e
imediata. Equipamentos que mostram o quanto de energia e de dinheiro
estão economizando são mais procurados pelos consumidores.
— Ao mostrar a informação em tempo real ou ao menos
diariamente, os produtos são mais bem aceitos do que se apenas
prometessem uma conta de luz menor no fim do mês — afirmou
Swim.
A pesquisa também demonstrou que só o oferecimento de
incentivos financeiros para a implementação de
políticas não é tão eficaz quanto a sua
combinação com medidas como a atenção
às conveniências para os consumidores, garantias de
qualidade e fortes ações de marketing social.
Um exemplo prático é citado pelo estudo. Em um programa
de adoção de sistemas mais eficientes de controle de
temperatura de residências (o que contribui para a
redução do consumo energético), as comunidades que
foram alvo dessa combinação de ações
aderiram em maior quantidade, 20%, do que as que contaram apenas com
incentivos financeiros.
Entre as áreas nas quais a psicologia poderia ajudar são
destacadas o desenvolvimento de leis ambientais, programas de
incentivos econômicos, tecnologias de eficiência
energética e métodos de comunicação.
"Muitas das políticas falham porque se baseiam em um
único tipo de intervenção, como
tecnológica, econômica ou de regulamentação.
Elas poderiam ser mais bem sucedidas se os legisladores fizessem uso do
conhecimento da psicologia" conclui o estudo.