LUTO
Acadêmicos
e funcionários da UFSC ainda choram a perda de Catatau
31/07/2009 - Nas contas dos
homens, 12 anos. Na vida de cão, 84. Este foi o tempo que
Catatau viveu entre nós. Agora, seu corpo descansa aos
pés da Pira da Resistência, em frente à
Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na Capital.
Dois panos pretos embandeiram o luto, três vasos de flores
simbolizam as homenagens. O animal foi encontrado morto na
manhã de sexta-feira (24), próximo a uma vala. A
causa é desconhecida.
É justa a
autorização para que o cão que vivia
no campus fosse enterrado ali. O monumento, erguido em
memória dos trabalhadores catarinenses em 1998, fala sobre
lírios que deram lugar ao cultivo da liberdade, da
solidariedade e da luta. Ninguém melhor que Catatau,
"cãolunista social" para receber uma cova na mesma terra
onde se brada pela luta contra a opressão e a
miséria.
O corpo do animal
não apresentava ferimentos. Houve suspeita de envenenamento.
Mas pela falta de câmeras no local, não
há imagens do cão sendo jogado perto da vala.
Entre os significados da
palavra catatau, o mais comum é coisa grande ou volumosa.
Mas para Catatau, com letra maiúscula, as
definições são muito mais emocionais:
- Catatau era
único. Por isso, só ele tem nome
próprio - diz Raísa Rocha, acadêmica de
Design.
- Ele era o cão
alfa, o chefe da matilha - sugere o estudante de Arte Tharso Duarte.
- Ele era o melhor de
nós. Estava em todas as lutas. Nas passeatas, nas greves,
nas campanhas, nos shows, nos atos políticos, nas
ocupações - escreveu a jornalista Elaine Tavares.
Catatau chegou filhote ao
campus. Hoje, pelo menos 20 cães estão
abandonados no local. Mas Catatau mostrou-se especial. Talvez tenha
usado da tal sensitividade - como sugere Léo Nogueira - um
tipo de fotógrafo oficial de Catatau e idealizador do blog
Catatau Menezes.
É Nogueira o autor da última foto dele em vida,
semana passada.Também é de autoria dele o poema
ao lado, sobre os animais que acompanham o cotidiano
universitário.
Para o mestrando em
Educação, os animais, assim como as flores,
reagem aos estímulos. Catatau gostava de gente, enfiava-se
no meio da aglomeração: ocupou
prédios, não omitiu-se nas greves e
até sentou na cadeira do reitor.
Por isso, o bichinho, chamado
por alguns de Zorro, Bruno e Reitor, não deixou
dúvidas. Foi o cão que melhor se inseriu no
cenário universitário. Por ironia, saiu de cena
justamente no período de férias.
Fonte/foto: Diário Catarinense
|