COM
INFORMAÇÕES DO G1

19/08/2009
- Uma feira ilegal de filhotes de cães coloca em risco a
saúde dos animais e desafia uma lei municipal todos os domingos
nos arredores do Parque Villa Lobos, na Zona Oeste de São Paulo.
Mesmo com tempo seco e calor de 27°C como registrado neste fim de
semana, cachorrinhos de diversas raças eram expostos em
porta-malas de carros por preços entre R$ 250 e R$ 3 mil.
A lei
municipal 14.483, sancionada em julho de 2007, diz que a venda de
cães e gatos em ruas, praças, parques e áreas
públicas é proibida e as penalidades vão de
advertência à multa de R$ 1 mil a R$ 500 mil. Ela
prevê ainda que, mesmo em pet shops, os animais não podem
ficar expostos por mais de seis horas e não devem ter contato
com os frequentadores do estabelecimento.
Apesar
de a legislação estar em vigor há dois anos e
recentemente a Prefeitura ter anunciado medidas a favor da posse
responsável, tanto a Secretaria de Coordenação de
Subprefeituras quanto o Centro de Controle de Zoonoses não
têm informações sobre apreensões ou multas
neste período no local.
Na
região das avenidas Professor Fonseca Rodrigues e Queiroz Filho,
o G1 localizou aproximadamente 20 carros. Dentro dos veículos,
animais dividem espaço com alto-falantes e outros objetos
à espera de um dono. Postados ao lado dos carros, criadores
dizem garantir a saúde e a origem dos animais, mas permitem
atitudes que colocam os bichos em risco.
Apenas
dois vendedores demonstraram cuidados em relação à
higiene. Em um dos carros, a dona dos filhotes pediu para que
não deixasse o filhote lamber as mãos do interessado na
compra e outra ofereceu álcool em gel, caso quisesse fazer
carinho no cachorro. Nos demais casos, os animais podiam ser
manipulados à vontade.
Segundo o veterinário Wilson Grassi http://www.wilsonveterinario.com.br,
diretor de bem-estar da Associação Nacional de
Clínicos Veterinários de Pequenos Animais (Anclivepa), o
contato com clientes e outros animais pode transmitir doenças
para os filhotes.
—
A mão pode ser um veículo de transmissão de
doença. O álcool ajuda, mas não resolve. Ele pode
pegar doença direto do ambiente, do ar. Se um cachorro espirra,
pode transmitir aos cachorros ao redor — explica Grassi.
Entretanto, o que mais assusta o especialista é o calor e o improviso na exposição dos animais.
—
Eles podem ficar sem água, no sol, sem comida, e,
invariavelmente, podemos encontrar cachorros com viroses incubadas
— alerta Grassi.
Segundo ele, a alta temperatura pode levar à hipertermia,
à desidratação e a desarranjos intestinais.
—
É contra lei [a feira] porque não oferece
condições mínimas de bem-estar — afirmou.
Segundo
a veterinária responsável pelo setor de vistoria
zoosanitária do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Solange
Germano, nenhuma apreensão foi feita depois que a lei 14.483 foi
regulamentada. O CCZ é o órgão responsável
pelas apreensões e trabalha em ações conjuntas com
as subprefeituras.
—
Já estivemos três ou quatro vezes na região desde
2007 e a única apreensão feita foi antes da lei ser
regulamentada — afirma Solange.
A
Secretaria das Subprefeituras informou, após ser procurada pela
reportagem, que vai acionar a Subprefeitura da Lapa para realizar a
fiscalização nas imediações do parque.
Na
compra de um cão, uma série de procedimentos devem ser
verificados. Os cachorros têm que ter microchip, que identifica o
animal e serve como registro, as vacinas têm que estar em dia,
eles só podem ser retirados de perto da mãe depois de 60
dias de vida, entre outras medidas.
Compra Segura
Uma dica importante é procurar o local adequado.
—
Não compre na feira. No pet shop, com muitas ressalvas. Compre
direto do canil, visite a criação, conheça o pai,
a mãe [do cachorro] e o ambiente — aconselha o
veterinário.
Outra possibilidade é a adoção.
—
Temos milhares de animais sem dono, passando frio e fome. Em uma
situação dessas não deveríamos estimular a
compra — diz Grassi.
A Prefeitura mantém um site para quem pensa adotar um animal. O serviço é gratuito.
Fonte: G1