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MEIO AMBIENTE

De carona pelo planeta

LETÍCIA MENDES - leticia.mendes@zerohora.com.br

CACO KONZEN, ESPECIAL, AGÊNCIA RBS 3/06/2010 - Um aluno de Relações Públicas, um estudante de Informática e um universitário de Design Gráfico. Jovens que escolheram áreas diferentes para trabalhar e nem ao menos se conheciam, embora circulassem todos os dias pelos mesmos corredores. O que fez esse trio se encontrar foi o Projeto Carona, lançado pela Univates no ano passado. 

O site criado pela universidade de Lajeado (RS) é uma ferramenta que possibilita a troca de caronas entre professores, alunos e funcionários da instituição. Dessa forma, a universidade pretende reduzir a emissão de CO2, desafogar os estacionamentos da instituição, diminuir os custos dos estudantes com o transporte e, para completar, incentivar a amizade.

Para Luiz Pedro Marin (FOTO), 18 anos, estudante de Design Gráfico, participar do Projeto Carona significou a garantia do emprego novo. O universitário mora em Lajeado desde o início do ano, quando se mudou de Arvorezinha para deixar de enfrentar as três horas de viagens diárias. Mas, em Lajeado, o problema foi a moradia no Centro, longe da universidade.

Mesmo nos meses de férias ele precisava ir até a Univates para trabalhar. Sem saber que seu vizinho, Samyr Paz, 20 anos, fazia todos os dias o mesmo trajeto, o jovem ia de ônibus até a universidade.

— Às vezes, o ônibus atrasava, e eu tinha de ficar ligando para a empresa, com medo de chegar atrasado no trabalho — lembra.

No site, Marin descobriu a carona do vizinho, que agora chama de amigo.

— Eu me ofereci no site para dividir caronas porque achei o projeto muito bacana. Como sou estudante de Relações Públicas, é muito legal fazer amizades com pessoas de outras áreas — conta Paz.

E Marin não foi o único a receber caronas do universitário.

O estudante de Informática Lucas da Rocha Soares, 19 anos, que vivia em Roca Sales, mudou-se para Lajeado em setembro do ano passado. Nos primeiros meses, a única forma de ir e vir até o campus sem gastar muito era caminhando. Todos os dias, eram 30 minutos. Para ele, caminhar não era o problema, desde que o céu colaborasse.

— Nos dias em que chovia, eu chegava todo molhado para trabalhar, era muito ruim — lembra o estudante.

Durante dois meses ele seguiu a mesma rotina, até acessar o site do projeto, onde encontrou um trajeto igual ao seu. Ele e Paz faziam o mesmo percurso:

— Para mim foi ótimo. Acho que mais pessoas deveriam utilizar o sistema. Muita gente faz o mesmo trajeto e nem imagina. 

A ideia veio da Europa

O sistema que fez a diferença na vida desses universitários é bastante conhecido em outros países. No Brasil, existem diversos sites semelhantes. Mas, em Lajeado, essa ideia chegou na cabeça do professor Odorico Konrad.

O sistema foi descoberto por ele na Áustria, onde, em 2002, concluiu o doutorado em Engenharia Ambiental. Mas não foram os estudos que levaram Konrad a encontrar o site. Apaixonado por uma sueca, ele queria viajar todas as semanas para encontrar a namorada. O problema estava em enfrentar os mais de 1,5 mil quilômetros que separavam Leoben, na Áustria, da casa da amada em Gotemburgo, na Suécia.

A solução para o problema foi o Mitfahrzentrale, um site alemão de troca de caronas. Ao contrário da pronúncia, a utilização do sistema era simples. Por meio do site, Konrad encontrou as caronas com as quais dividiu as viagens para a Suécia por mais de 20 vezes.

— Os meios de transporte são responsáveis por boa parte da emissão de CO2 no mundo. Então, se reduzirmos o número de veículos em circulação, podemos ajudar a diminuir esses índices — afirma.

A explicação é simples: se transportarmos em um veículo cinco pessoas, em vez de uma, a redução na emissão de gás carbônico será de 80%.

— O sistema não serve apenas para quem não tem carro. Muitas pessoas fazem o mesmo percurso todos os dias. Um dia um pode ir com o carro, outro dia, o outro. É uma questão de começar a pensar no planeta — afirma o professor.

Para a coordenadora do site da Univates, Elise Bozzetto, é importante que as pessoas se acostumem a utilizar o sistema.

— Ele ainda está em fase inicial, mas esperamos que as pessoas passem a utilizá-lo inclusive em percursos para fora da universidade. Se alguém for viajar para a praia, por exemplo, e quiser cadastrar o trajeto pode — explica.

Como funciona
 
:. Em um site, que só pode ser acessado com nome do usuário e senha da universidade, é feito um cadastro com o trajeto a ser percorrido, tanto por quem oferece como por quem busca caronas.
 
:. Desse modo, o usuário pode buscar ou cadastrar caronas.
 
:. Quem buscar uma carona e encontrar um percurso compatível com o seu poderá entrar em contato com a pessoa por e-mail ou telefone (os dados a serem divulgados são escolhidos por quem oferece a carona)
 
:. O contato e as formas de dividir os custos do transporte ficam por conta dos usuários.
 
:. Quem não encontrar uma carona no seu percurso pode solicitar o recebimento de um e-mail quando um trajeto compatível for cadastrado no site. O mesmo email será recebido por quem cadastrou a carona.
 
:. Existe ainda um espaço para sugestões onde os usuários podem sugerir melhorias no sistema.
  
Sites brasileiros
www.ecarona.com.br
www.bigoo.com.br
www.caroneiros.com
www.caronabrasil.com.br
www.vaipraonde.com.br
www.coletivu.com.br
www.caronasegura.com.br
Os horários

:. Ponto negativo: o sistema funciona melhor para pessoas que têm horários fixos. Para quem tem horários muito alternativos pode não funcionar.
 
:. Ponto positivo: muitas pessoas circulam no mesmo horário na universidade.
 
:. Dica: paciência. esperar alguns minutinhos pelo outro pode não ser tão difícil.
 
A privacidade

:. Ponto negativo: dividir o carro com desconhecidos pode ser constrangedor.
 
:. Ponto positivo: é uma oportunidade de conhecer outras pessoas e até fazer novos amigos.
 
:. Dica: estabeleça regras da carona, se achar necessário. Educação é fundamental.

 
A segurança
 
:. Ponto negativo: pode se ter receio de dar ou pegar carona com desconhecidos.

 
:. Ponto positivo: somente pessoas da universidade são cadastradas.

 
:. Dica: faça contatos antes por e-mail ou telefone.

Fonte: Zero Hora

   
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