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MEIO AMBIENTE
Criar reserva ecológica particular ficará mais fácil
24/07/2009
- Em
menos de um mês, os proprietários rurais interessados em
criar uma reserva ecológica em sua propriedade (RPPN - Reserva
Particular do Patrimônio Natural) resolverão parte das
questões burocráticas pela internet em um prazo de 30
dias, através de um programa de computador criado com o objetivo
de estimular a criação desse tipo de unidade de
conservação.
O que hoje demora aproximadamente três meses e acontece
totalmente via correio passará a levar um terço deste
tempo quando não houver problemas com a
documentação. A mudança vai facilitar o trabalho
do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade, órgão responsável pela
criação das unidades de conservação
federais) e permitir que proprietários acompanhem tudo via web.
A novidade que permitirá esta economia de tempo é um
software criado pelo ICMBio chamado SIM-RPPN (Sistema Informatizado de
Monitoria de RPPN). "A gente tem bastante queixa da demora, e mesmo
assim os números são positivos", lembra Ricardo
Soavinski, diretor de unidade de conservação do ICMBio.
Algumas das atividades que passarão a ser desempenhadas pelo
SIM-RPPN são a análise dos mapas da propriedade enviados
pelo dono ao instituto e a convocação de
órgãos como IBAMA e prefeitura para a consulta
pública de criação da RPPN.
Elaborado durante seis meses, o SIM-RPPN está em fase de
aperfeiçoamento depois de testado por 30 parceiros do Instituto
Chico Mendes. Após este processo, o programa estará
disponível no site do instituto para quem estiver interessado em
criar uma reserva em sua propriedade rural. A perspectiva, segundo o
consultor do ICMBio para este projeto, José Luciano de Souza,
é de que o programa esteja pronto para ser usado em agosto.
O ICMBio é responsável apenas pela criação
das unidades de conservação federais, mas o diretor de
unidade de conservação do instituto ressalta que o
SIM-RPPN será colocado à disposição dos
Estados interessados em usá-lo no processo de
criação de RPPN's estaduais, inclusive com
assistência técnica.
Diferentemente dos outros dez tipos de unidades de
conservação federais, a criação das RPPN's
parte da iniciativa privada. "É uma das atitudes mais
interessantes em relação à terra, uma iniciativa
louvável", elogia Soavinski. Hoje, são 523 RPPN's
federais no país, totalizando 484.652,65 hectares. Elas ficam
dentro das terras do proprietário rural e, segundo o diretor de
unidades de conservação do ICMBio, em sua maioria
ultrapassam a área que todo dono de terras deve preservar por
lei. Ou seja, são regiões que os proprietários
poderiam cultivar.
Além de contribuir para a manutenção do meio
ambiente, quem resolve criar uma reserva em sua terra tem ainda algumas
vantagens. Os proprietários passam a ser isentos de pagar o ITR
(Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural), recebem apoio para
fiscalizar a área protegida e são muitas vezes
contemplados com doações de materiais apreendidos pelo
governo (como madeira).
Nas Reservas Particulares de Patrimônio Natural é
permitido desenvolver o turismo e atividades como coleta de sementes,
pesquisas e lazer. Segundo o diretor de unidades de
conservação do ICMBio, uma das atividades mais fortes
é o ecoturismo que, além de ajudar no orçamento do
proprietário rural, estimula a economia de toda a região.
"A RPPN cria um fluxo (de turistas)", explica Soavinski.
Apesar de serem em maior número do que todos os outros tipos de
unidades de conservação federais juntas, que somam 304
unidades, as 523 reservas particulares federais ocupam menos
espaço _a maioria delas está dentro de pequenas
propriedades. Por este motivo, elas desempenham um papel importante na
preservação do meio ambiente: acabam contribuindo para a
formação de corredores ecológicos entre unidades
de conservação maiores.
Soavinski explica que muitas vezes não é viável
para o governo transformar pequenas áreas em unidades de
conservação, e a iniciativa privada acaba desempenhando
este papel. E acrescenta que, se a criação destas
unidades fosse feita pelo Estado, as áreas precisariam ser
desapropriadas, o que também é negativo para os
proprietários. "A natureza, o proprietário, todo mundo
ganha (com as RPPN's)", conclui.