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LEGISLAÇÃO
Projeto no Congresso Nacional traz avanço para energias renováveis
23/07/2009
- Ultimamente, tanta notícia ruim transborda do Congresso
Nacional que quando aparece uma boa, ninguém presta a menor
atenção. É o caso do relatório de autoria
do deputado Fernando Ferro (PT-PE) sobre o projeto de lei 630, de 2003,
que trata dos incentivos ao desenvolvimento de fontes de energias
renováveis. Ele saiu na quarta-feira e, para o país,
passou em brancas nuvens. Poucos o viram e menos gente ainda o leu, o
que é uma pena porque ele tem vários pontos positivos
para a implementação de um parque gerador com base em
energias renováveis no país.
Ferro
apresentou o relatório com um substitutivo que consolida outros
18 projetos de lei sobre o mesmo assunto que também tramitam na
Câmara do Deputados. O texto traz pontos que não apenas
incentivarão o desenvolvimento de energias renováveis,
como também inéditos em relação à
legislação vigente e ao Proinfa (Programa de Incentivo
às Fontes Alternativas). Alguns saíram da proposta do
deputado Edson Duarte (PV-BA), escrita com a colaboração
do Greenpeace e que versa sobre a comercialização de
energias renováveis, a conexão delas à rede e o
estabelecimento de contratos de longo prazo entre os geradores e as
distribuidoras de energia.
Também
acabaram contemplados no texto final de Ferro os projetos do deputado
Paulo Teixeira (PT-SP) _ que propõe a criação de
programas para a geração de energia renovável em
sistemas isolados _ e do deputado Guilherme Campos (DEM-SP) _ que
institui a renúncia fiscal para a importação de
equipamentos para a geração a partir de fontes
renováveis. Os principais pontos do relatório referem-se
ao direito de distribuir energia gerada por turbinas de vento, biomassa
ou placas solares à rede ou em comunidades isoladas. O texto
garante aos geradores o direito de vender sua energia às
concessionárias por meio de contratos de longo prazo, o que
dá um mínimo de segurança aos investimentos em
usinas de geração renovável.
O
substitutivo de Ferro prevê a realização de
leilões anuais de pelo menos 600 MW médios das fontes
eólica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas. Estes
leilões podem dar uma visão de longo prazo ao mercado, o
que não é mau, mas para criar confiança entre os
investidores, é necessário que seu preço de
referência assegure a viabilização econômica
de usinas geração renovável e que a quantidade de
energia negociada tenha um volume capaz de estimular o mercado. A
questão do acerto do preço pago pela energia e do
montante negociado nos leilões são pontos
importantíssimos para o sucesso da lei e que serão
sugeridos pelo Greenpeace ao deputado na forma de emendas. O
período para sugestões começa após o
recesso parlamentar, no dia 3 de agosto.
A
redução de impostos sobre equipamentos e lucros de
empresas que operam com tecnologias renováveis é
igualmente fundamental para a consolidação desse tipo de
geração. Sem o incentivo do Estado, as fontes
renováveis dificilmente conseguirão ganhar escala
suficiente para virar um mercado independente. É assim que os
investimentos em geração alternativa vêm sendo
feitos nos Estados Unidos, Europa, China e Índia. O texto de
Ferro propõe também a redução de 20% na
tarifa de eletricidade de quem usa coletores solares para o aquecimento
de água, encorajando a população a também
fazer parte desse mercado de energias limpas.
Mas
além disso, o incentivo ao uso de painéis solares em
residência embute de quebra um estímulo à
eficiência energética, porque dá a
população mais uma razão, financeira, para
abandonar o uso do chuveiro elétrico, de longe os maiores
responsáveis pelo consumo residencial de eletricidade no
país. Ferro também propõe a criação
de um fundo para a pesquisa e desenvolvimento de energias
renováveis. Fundos como este são importantes para a
capacitação tecnológica e técnica do
país, sem as quais seria impossível o desenvolvimento
interno de pesquisas e equipamentos.
Na
avaliação do Greenpeace, o texto de Ferro é um
avanço em relação à atual
legislação sobre energias renováveis, que tem
reconhecidamente enorme potencial no Brasil. Sua proposta também
restringe a participação de termelétricas
fósseis nos leilões de energia. Pelo que quer Ferro, a
energia gerada por essas usinas só poderá ser
comercializada caso haja comprovadamente a ameaça de um
apagão.
O
substitutivo apresentado pelo deputado pernambucano ainda pode
melhorar, principalmente se, após o período de
apresentação de emendas, nele forem incluídas
cláusulas que garantam que o preço e o volume de energia
renovável ofertados nos leilões de grande porte sejam
suficientes para o desenvolvimento desse novo mercado de
geração.