16/06/2009 - O setor de carne bovina está no meio de uma forte confusão. Os grandes supermercados suspenderam a compra de carne dos maiores frigoríficos até que eles provem que não estão comprando de pecuaristas que desmatam a Amazônia.
O Greenpeace fez um estudo detalhado provando o que algumas reportagens já haviam mostrado: os pecuaristas desmatam, criam o boi e vendem para as grandes empresas que depois oferecem ao consumidor brasileiro. O Banco Mundial suspendeu um empréstimo que tinha dado ao frigorífico Bertin e pediu o dinheiro de volta.
O Ministério Público do Pará notificou várias empresas alertando que elas não devem comprar carne dos frigoríficos e pecuaristas do estado, que comprovadamente estão em área desmatada. O mercado e o consumidor brasileiro começam a fazer aquilo que o governo nunca conseguiu: exigir o cumprimento das leis na Amazônia.
O grande ausente neste diálogo é o BNDES que é sócio dos frigoríficos e financiador de todos os citados no estudo: Friboi, Marfrig e Bertin, entre outros. O banco está prometendo estudar o assunto. Já se reuniu com o Greenpeace, mas não respondeu perguntas básicas, como: como controla a quem dá empréstimo, que tipo de cláusula tem no contrato, que garantia dá ao consumidor brasileiro de que não está financiando o desmatamento da Amazônia?
Redução do IPI
No Brasil, o governo cobra imposto alto sobre remédios, sobre alimentos, e diminui imposto de carro? A medida faz efeito exatamente porque o governo fica ameaçando acabar com ela. Isso antecipa decisões de compra. A pessoa já ia comprar o carro e a redução do IPI é o argumento final. Mas não é isso que vai sustentar de forma definitiva a economia.
Melhor seria se o governo reduzisse os impostos em geral, para que pessoas tivessem mais dinheiro na mão para consumir e empresas tivessem mais dinheiro para o seu capital de giro, para os seus investimentos. Essa estratégia parece ótima, mas ele beneficia apenas um tipo de indústria e um tipo de trabalhador e não toda a economia.

