OPINIÃO
Leishmaniose no Rio Grande do Sul
MARIA LUIZA
Mais
uma vez, em nome da saúde pública, são realizados
verdadeiros absurdos - ilegais e irracionais.
Resumindo os fatos:
"Apareceu" um surto de
leishmaniose no RS (estado que nunca teve essa doença), na
cidade de São Borja. A prefeitura criou um clima de terror e
pânico:
O exército está nas ruas
coletando sangue dos animais ... também está entrando nas
casas para coletar dos animais domiciliados (claro que sem
nenhuma ordem judicial...) Voltam uma semana depois
"dizendo" que o resultado deu positivo e levam os cães para
serem mortos;
Não informam que as
pessoas têm direito a uma contra prova desses exames
Se alguém pedir o resultado
dos exames, eles não tem para entregar (!!!) a confusão na
papelada está enorme...
As mortes estão acontecendo
no quartel (!!??) onde não é permitida a presença de ninguém
"de fora", e lá mesmo os animais estão sendo enterrados em
valas
Ninguém apresentou até
agora NENHUM resultado de exame (nem dos sorológicos, muito
menos do parasitológico), embora o MP já tenha solicitado.
Alguns veterinários da
cidade estão pressionando as pessoas a levarem seus animais
para que sejam examinados por eles ... estão diagnosticando
leishmaniose sem exames laboratoriais (!!!) e matando, ou
vacinando (!!!)
Não têm programa de
educação para a saúde, não tem esclarecimento á comunidade,
não tem combate ao mosquito, Matar ou controlar o mosquito
dá muito trabalho. Matar cães é fácil, dá visibilidade e
mostra que os profissionais de saúde estão fazendo alguma
coisa (mesmo que seja matar cães). Isto causa impacto, dá
mídia, justifica as diárias, dá status de médico (estão
cuidando da saúde humana..), dá poder, causa pânico, rende
muito $$$$ para os laboratórios e para os parceiros.
E por falar em
laboratórios...a venda de vacinas aqui no RS está um
"espetáculo"....(lembrando que leishmaniose é "novidade"
aqui no estado)
E por falar em controle de
vetores... segundo a prefeitura, não podem matar os
mosquitos, pois colocar veneno vai causar desequilibrio
ecológico, matando outros insetos, inclusive baratas
(???!!!) ...
O CRMV/RS afirmou que
qualquer animal só pode ser morto se houver comprovação do
positivo para leishmaniose... mas não fiscaliza. Não está
acompanhando o caso, não tem os resultados dos exames, não
sabe nada... Os veterinários da cidade podem continuar
cometendo todos os absurdos tranquilamente, pois o conselho
não está fiscalizando.
A leishmaniose é doença de
notificação obrigatória.... mas onde estão esses dados?
O lixo orgânico de São
Borja, que não tem aterro, é levado para a cidade de Santa
Maria... caminhão caçamba, coberto com uma lona... Se tiver
leishmanisoe na cidade, estão exportando larvas e mosquitos
para outras cidades
E pra encerrar: recebemos
uma denúncia muito séria, mas que ainda estamos averiguando:
"os animais recebem uma injeção, ficam se debatendo e são
colocados na vala ainda se mexendo"
Essas são apenas algumas
informações. Os absurdos são muitos, mas colocar todos
deixaria esse e-mail interminável.
O MGDA está com uma
representação no MP local.
Nesse momento precisamos da
ajuda de todos, que escrevam para o Conselho Regional de
Medicina Veterinária, Dr. Air Fagundes dos Santos,
presidente,
airfagundes@crmvrs.gov.br, solicitando
uma fiscalização do conselho, e também:
Que seja apresentado,
publicamente, o resultado dos exames positivos, com suas
respectivas contra porvas - de todos os animais já mortos
pela prefeitura, bem como o protocolo das "eutanásias"
realizadas.
Queremos saber, também,
quantos animais foram mortos pelos veterinários particulares
da cidade, com os respectivos exames e contra provas...
O Conselho tem obrigação de
ter esses dados... afinal é uma de suas funções fiscalizar
os profissionais médicos veterinários (não pode só
fiscalizar veterinário que faz castração pra ONGs....)
Pedimos, também, que todos
divulguem essas informações. Cidades vizinhas já estão se
preparando para essa "guerra" - especialmente depois que
souberam que o Ministério da Saúde libera verbas ($$$$$$$)
para o combate a essa doença... Alguns prefeitos já
estiveram em São Borja para conhecer as "técnicas"
utilizadas.
Precisamos ficar alertas...
a qualquer momento essa guerra" pode estar na nossa cidade.
Ninguém ignora que a
leishmaniose é uma doença séria, e que o seu controle é
necessário e fundamental. Mas da forma como está acontecendo
tudo, não se pode nem acreditar que tenha essa zoonose em
São Borja, e se tiver, não se pode medir a proporção, pois o
que instalaram lá foi um circo...de horrores, mas um circo.
Peço que todos fiquem
atentos aos "movimentos" da saúde em seus municípios.
Aqueles que têm contato com veterinários, que fiquem
espertos se começarem a aparecer representantes de
laboratório vendendo vacina contra leishmaniose... Vamos
tentar conter esse pânico e não permitir que se alastre pelo
Estado. Podemos exigir informações, campanhas de
esclarecimento, especialmente quanto ao controle dos
vetores... Não é o cão que transmite... é o mosquito! só que
a prática dos profissionais de saúde pública na maioria das
cidades desse país é: mata-se o cão, deixa-se o mosquito pra
lá.
Aqueles que trabalham em
associações, ONGs, oscips, etc... por favor, leiam,
informem-se... Existe um movimento forte da Anclivepa de MG,
do Abrigo dos Bichos de Campo Grande, e muitas iniciativas -
inclusive judiciais - para inverter essa ordem confusa,
acomodada e ineficiente estabelecida na saúde brasileira.
Abraços
Maria Luiza |